segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Agricultura Biológica - informação
http://ec.europa.eu/agriculture/organic/splash_en
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
De vento em popa sem o nuclear às costas, com mais ondas e marés, sol e barragens, mas provavelmente menos peixinhos da horta
Se as apostas específicas deste governo na área das renováveis foram as melhores ou se os níveis de subsidiação foram os mais adequados são questões demasiado complexas para debater num único post. Certamente houve opções menos felizes, mas parece-me fundamental que o governo PS tenha efectuado uma escolha em prol das energias renováveis, face a cenários alternativos como o nuclear ou a proliferação de centrais dependentes de combustíveis fósseis. Convém também compreender se as críticas mais acérrimas têm por base os méritos ou deméritos das opções técnicas aprovadas, ou os interesses que favorecem ou contrariam.
A aprovação de legislação exigente sobre eficiência energética para os edifícios novos é um passo fundamental para reduzir o desperdício, mas é igualmente crucial apresentar uma estratégia ambiciosa para a reconversão do parque habitacional existente. O apoio a soluções do tipo fotovoltaico e solar-térmico ao nível residencial podem ter aqui um papel muito importante, que é reforçado pelo facto de uma central solar fotovoltaica não ter ganhos de eficiência significativos face à mesma capacidade instalada em residências. Significa isto que os projectos das centrais fotovoltaicas de Serpa e da Amareleja (as maiores do mundo) são aventuras megalómanas? Penso que não, porque a importância destas centrais extravasa em muito a relevância da energia efectivamente aí produzida: são projectos de marketing nacional que colocam Portugal no mapa das energias renováveis e na linha da frente de um sector que movimenta biliões de euros e cresce a um ritmo exponencial.
No campo oposto temos aqueles que advogam que o nuclear é uma opção imprescindível que não nos podemos dar ao luxo de recusar num futuro próximo, e que tem em Patrick Monteiro de Barros o seu mais acérrimo defensor.
Não poderia discordar de forma mais veemente dos que defendem que o nuclear é uma tecnologia barata, limpa e segura. Mas vamos aos factos:
1) Rejeito liminarmente a solução nuclear porque considero que o risco probabilisticamente mínimo mas potencialmente devastador de um acidente nuclear não é aceitável numa sociedade civilizada. Windscale rebaptizado Sellafield em Inglaterra, ou Three Mile Island nos EUA são exemplos de acidentes nucleares graves (com destruição ou fusão parcial do núcleo) em potências ocidentais, o que comprova que Chernobyl não é caso isolado nem exclusivo de uma URSS em declínio. Acresce que o secretismo em caso de acidente dá reduzidas garantias à sociedade civil de dispor da melhor informação para lidar com uma ocorrência grave.
2) A ausência de uma solução para a questão dos resíduos radioactivos é outro argumento decisivo para rejeitar esta tecnologia. Além de se poluir o planeta por milhares de anos, estamos a transferir para as gerações futuras um grave prejuízo ambiental e económico a troco da produção de energia no presente (para a qual existem várias e melhores alternativas), o que constitui uma grave violação do princípio de ética intergeracional. Existe também o risco de se fomentar o circuito criminoso de tráfico internacional de resíduos perigosos onde invariavelmente os resíduos perigosos dos países ricos encontram sepultura em países económica ou democraticamente mais frágeis.
3) O nuclear está longe de ser uma tecnologia limpa, basta considerar as emissões associadas à mineração e enriquecimento do urânio, à construção das centrais, e ao transporte, processamento e armazenamento dos resíduos radioactivos. Não é necessário invocar Chernobyl para demonstrar o logro deste argumento, basta efectuar uma análise rigorosa ao ciclo de vida de uma central nuclear para o argumento das reduzidas emissões de CO2 se tornar logo menos atraente.
4) A percepção de que o nuclear é uma tecnologia barata é outra ideia peregrina, pois além de ter beneficiado de milhares de milhões de euros de apoios da União Europeia durante décadas (contra apoios ridículos para as renováveis), existem estudos do MIT que comprovam a existência regular de elevadíssimas derrapagens no custo de construção das centrais e que são tipicamente suportados pelos consumidores e contribuintes. Acresce que os elevadíssimos custos de desmantelamento das centrais raramente são suportados pelos consórcios privados que as construíram e que delas beneficiaram, e acabam por cair sobre os ombros dos contribuintes.
5) O nuclear é uma tecnologia madura onde é muito mais difícil Portugal conseguir inovar, além de que não dispomos de vantagens competitivas face a potências nucleares como a França ou os EUA. Portanto ao contrário das renováveis, a aposta no nuclear não trará significativas mais-valias em áreas associadas nem potenciará a criação de um cluster tecnológico estratégico.
6) O processo completo de construção de uma central nuclear desde a fase de discussão pública até à entrada em produção regular demora entre 10 a 15 anos, incompatível portanto com a necessidade urgente de reduzir as emissões de CO2 a muito curto prazo.
Arrumada a questão do nuclear gostaria de me voltar para algumas críticas que dizem que as renováveis têm pouco impacto no combate à dependência energética do país. O facto de grande parte da dependência energética de Portugal advir do sector dos transportes não significa obviamente que investir em energias renováveis seja um erro. Claro que seria interessante pensar a prazo no encerramento de centrais muito poluentes como a de Sines (a carvão), mas esse é um cenário ainda longínquo e parece-me óbvio que se não houvesse aposta nos renováveis as nossas importações de combustíveis fósseis teriam de compensar essa fatia.
Em suma, à esquerda e à direita atropelam-se os que tentam diminuir o mérito da aposta nas energias renováveis. Desde os desacreditados apoiantes do nuclear até aos ecologistas mais radicais, que sofrendo de uma profunda incoerência ideológica são contra o nuclear mas também se opõem às barragens e aos parques eólicos que nos permitem rejeitar a primeira e mais nefasta opção.
A urgente resolução da questão energética pede mais honestidade intelectual e menos utopia demagógica. E como coerência e honestidade não impedem sentido crítico deve-se continuar a denunciar situações onde se verifique a criação de rendas desnecessárias, o mau ordenamento na construção de parques eólicos, e qualquer outro caso que venha a afectar negativamente a boa execução de uma correcta aposta nas energias renováveis.
Para terminar apenas uma breve nota sobre a importância de reconhecer a existência de limites ao crescimento e sobre o grave problema da sacralização da tecnologia que são assuntos conexos com a problemática energética e sobre os quais falarei num próximo post:
Limites do crescimento
A adopção de um novo paradigma de sustentabilidade implica que a sociedade aceite a existência de limites ao crescimento, o que em última análise poderá levar a uma estratégia de decrescimento sustentado.
Sacralização da tecnologia
A sacralização da tecnologia na sociedade ocidental desde a segunda metade do séc. XX resulta de uma fé exagerada na ciência, que é perversa na medida em que serve para escamotear à necessidade de alterar hábitos insustentáveis profundamente enraizados na sociedade ocidental.
Publicado originalmente no Simplex
De vento em popa
O investimento em energias renováveis permite aumentar a segurança de abastecimento, reduzir a importação de energia do estrangeiro, aliviar o défice da balança de pagamentos, e reduzir a exposição à volatilidade de preços dos recursos não renováveis.
A diversificação inerente à promoção das energias renováveis cria condições para o desenvolvimento de um cluster tecnológico de futuro, capaz de gerar emprego qualificado e com elevado potencial exportador. Enquanto a descentralização da produção que está associada às energias verdes possibilita que a criação de emprego e a geração de riqueza sejam repartidas de forma mais homogénea pelo território nacional.
O apoio às energias renováveis deverá ser gerido criteriosamente, de forma a evitar a criação de rendas desnecessárias em tecnologias verdes já competitivas, que venham a onerar excessivamente o contribuinte ou o consumidor. Incentivando também a inovação, pesquisa e desenvolvimento em áreas emergentes como a biomassa ou a energia geotérmica.
Apesar do entusiasmo com as energias renováveis é fundamental agir com a mesma determinação no combate ao desperdício, na promoção da eficiência energética e na gestão da procura. É crucial agir ao nível da alteração de comportamentos dos consumidores, o que só é possível se se compreender bem a dinâmica da procura, agindo sobre ela em vez de a tomar sistematicamente como um dado rígido ao qual a oferta continuamente se ajusta.
Vencer o desafio energético aproveitando integralmente o potencial das energias renováveis exige uma estreita articulação das políticas de energia, urbanismo e transportes. A adopção de soluções de mobilidade suave, híbrida e eléctrica terá porventura ainda maior impacto ao nível energético que as energias renováveis.
Não basta inovar tecnologicamente, é essencial mudar hábitos e comportamentos insustentáveis enraizados há décadas na sociedade portuguesa. A promoção de tecnologias, equipamentos, edifícios e meios de transporte mais eficientes, e a adopção de hábitos mais sustentáveis são passos fundamentais rumo à indispensável redução da intensidade energética da nossa economia, garante de competitividade internacional e de crescimento sustentável.
Publicado originalmente no Simplex
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Questionário enegético
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Carro eléctrico
- o preço do carro eléctrico vs. equivalente com motor de combustão interna;
- é o carro eléctrico "amigo do ambiente" no processo de construção (materiais usados e energia gasta)?;
- a sua autonomia;
- o seu abastecimento (facilidade e tempo de recarga);
- custo por quilometro vs. equivalente com motor de combustão interna;
- tempo de vida;
(...)
É certamente um passo para a diminuição das emissões de CO2 (dependendo de como é produzida a electricidade) mas não será certamente a solução para o congestionamento do trânsito....
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Debate Público: ECONOMIA VERDE realizou-se na Faculdade de Economia da UNL

Economia Verde, uma expressão que junta dois conceitos que, eventualmente, até há pouco tempo não fariam sentido na mesma frase. Hoje certamente urge discutir e comunicar melhor as maneiras como a gestão das questões globais como o Ambiente pode ser conseguida através e a favor da Economia, leia-se das soluções geradas a partir da perspectiva do mercado.
Muito obrigada aos nossos convidados Catarina Palma, Paulo Ribeiro e António Ferreira, pelas informações e pelos esclarecimentos que este debate conseguiu proporcionar.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Claude Allègre
Climat: la prévention, oui, la peur, non, L'Express, May 2006
Falando claro e muito convicto, Allègre, declarou hoje na Academia das Ciências em Lisboa que há grandes desafios para a humanidade hoje, mais certos e urgentes que o tema genérico das alterações climáticas [que, no seu ponto de vista, não é um problema antropogénico]: a Demografia, por exemplo, em breve seremos nove milhões a precisar de alimento e de água.
A sua tese: o ser humano tem nas mãos grandes desafios: a Adaptação a novas realidades. A solução: aceitar um progresso positivo com novas maneiras de produzir e gerir a Energia, os Resíduos, a Água, etc. Um pouco como os ciclos Geológicos, pensar os sistemas circulares de reciclagem de tudo o que possa ser reciclado, a energia, a água...
Na gestão do tema da biodiversidade, a solução para o desaparecimento da população de ursos polares a norte do Canadá, não está nas medidas extemporâneas como a redução da velocidade nas autoestradas [França], mas sim na luta para a proibição efectiva da caça a estes ursos!
As soluções para o futuro do nosso Planeta, devem ser realistas e fazer parte de medidas de adaptação económica à lógica dos mercados globais, ao presente.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Cheat neutral
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Consumo verde
Greenpeace updated its “Guide to Greener Electronics” today, the first quarterly update of the technology industry’s performance on environmental issues. The guide ranks the 14 top manufacturers of personal computers and cell phones, and due to the commitments by many companies to greener manufacturing processes, the rankings have changed, although Apple Computers, Inc. remains in last place. Many companies besides Apple are following recommendations to eliminate the most hazardous chemicals from their products and are adopting progressive recycling policies, such as financing the take-back, reuse or recycling end-of-life products.
E a história continua aqui.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Health and Consumer Protection DG
What are some of the main challenges that our DG may face in the future? How will the environment in which we operate evolve in the coming 10-20 years? For example: will consumers have confidence in what we purchase in a supermarket? Will consumers be increasingly looking for ethical or local products? Will citizens live longer and healthier? Will consumers spend even more time on the internet looking for information or making a purchase?
What are the different future scenarios? What does it mean for us? How should we prepare ourselves pro-actively?
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Air quality and ancillary benefits of climate change policies
Outros estudos em português (por exemplo)
domingo, 29 de julho de 2007
Crise energética no horizonte
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Biofuels - analise no Newscientist
ALMOST one-quarter of nature's resources are being gobbled up by a single species, and it's not difficult to guess which one. Based on figures for the year 2000, the most recent available, humans appropriate 24 per cent of the Earth's production capacity that would otherwise have gone to nature.
The result is a gradual depletion of species and habitats as we take more of their resources for ourselves. Things could get even worse if we grow more plants like palm oil and rapeseed for biofuels to ease our reliance on fossil fuels.
"Things could get even worse if we grow more plants like palm oil and rapeseed for biofuels to ease our reliance on fossil fuels
That is the message from a team led by Helmut Haberl of Klagenfurt University in Vienna, Austria. Haberl and colleagues analysed UN Food and Agriculture Organization data on agricultural land use in 161 countries covering 97.4 per cent of farmland.
By comparing carbon consumption through human activity with the amount of carbon consumed overall, Haberl's team found that humans use some 15.6 trillion kilograms of carbon annually. Half was soaked up by growing crops. Another 7 per cent went up in smoke as fires lit by humans, and the rest was used up in a variety of other ways related to industrialisation, such as transport (Proceedings of the National Academy of Sciences, DOI: 10.1073/pnas.0704243104).
Haberl says that the Earth can just about cope if we meet future needs by producing food more efficiently. This could be done by intensifying agriculture on roughly the same amount of land as we use now. But we're asking for trouble, he says, if we expand production of biofuels, as the only fertile land available is tropical rainforests.
"If we want full-scale replacement of fossil fuels by biofuels, this would have dramatic implications for ecosystems," says Haberl. He warns that some projections foresee four or fivefold increases in biofuel production. "This would at least double the overall amount of biomass harvested, which is about 30 per cent above ground at present, but would increase to 40 or 50 per cent to meet these biofuel targets," he says.
This would mean clearing what remains of the world's rainforests in countries such as Brazil and Argentina. As well as wiping out thousands of species, this would have devastating effects on the climate, he says. Unlike farmland, forests help to seed rainfall because they have high evaporation rates.
"The less evaporation there is, the less rainfall there is and the whole system dries up," he says.


