Entre Fevereiro e Abril ALKANTARA e ZDB perguntaram a todos: “Como seria a Lisboa Ideal?”.
Receberam mais de 70 respostas: projectos, ideias, imagens, textos... agora é tempo de as mostrar!
No dia 12 de Maio, na Escola Superior de Dança (rua da Academia das Ciências n.º 5 Bairro Alto) das 18h00 às 24h00 todos os projectos recebidos serão apresentados ao público. O programa inclui igualmente discussões com representantes de diversas associações e movimentos cívicos, vídeos, música ao vivo,... Estarão presentes escolas e universidades, arquitectos, escritores, jornalistas, artistas... Todos estão convidados. A entrada é livre! É tempo de conhecer a Lisboa Ideal!
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8 comentários:
A mim não me perguntaram o que seria para mim a Lisboa ideal. Acho que uma cidade ideal só poderia ser sem pessoas. Como eu gosto de morar em Lisboa, não gostaria que Lisboa fosse a cidade ideal.
Gostava que Lisboa tivesse mais pessoas e menos carros. Mais lojas de rua e menos centros comerciais. Menos parques de estacionamento e mais espaços verdes. Gostava que fosse mais agradável andar a pé em Lisboa, e mais difícil andar de carro. Gostava de poder passear sem me ter que desviar dos carros estacionados do passseio. Gostava que o ar que respiramos fosse mais limpo. Gostava que houvesse mais vida de bairro, mais esplanadas, e mais ruas sem trânsito.
Será pedir demais?
Infelizmente nas cidades (portuguesas) em que vivemos não é difícil apontar melhorias. Ainda mais quando já se andou por essa Europa fora...
Porque não criar faixas para ciclistas e outros meios de transporte não motorizados? Porque não começar a proibir a circulação automóvel em certos pontos centrais das cidades em vez de se esperar pelo dia mundial ou qualquer outro motivo praticamente imposto para o fazer? Isto não só em Lisboa como no Porto, em Braga, em Coimbra, etc...
Claro que posto este problema a quem responsável por este pelouro ( com certeza ninguém ) irá dizer que não é viável, não há espaço, etc... Pois não há nem nunca houve foi espaço na cabeça deles para duas coisas fundamentais que se chamam cérebro e ética.
Por exemplo uma coisa muito simples: porque não por a funcionar em zonas de peoes aquelas caixinhas nos semáforos que noutros paises servem para mudar o sinal e em Portugal serve no máximo para morrermos electrocutados?
Gostava que desenvolvesses a ideia de que 'uma cidade ideal só poderia ser sem pessoas'. Penso poder ter entendido...
Por outro lado fará sentido considerar uma cidade sem pessoas? O conceito de cidade não terá implícito de que é 'algo' com pessoas, feito por pessoas e para as pessoas?...a parte de 'para as pessoas' é que penso que é esquecida pelas pessoas :|
Não acredito que se possam fazer coisas ideais ou perfeitas com pessoas. Podíamos talvez conceber uma cidade ideal habitada por máquinas e robôs, mas não é certamente nessa cidade que eu quero morar.
A cidade em que eu gostava de morar seria sem dúvida feita por pessoas e para as pessoas. Lisboa não é uma cidade para as pessoas, é uma cidade para os carros.
A grande prioridade das sucessivas direcções camarárias tem sido investir na melhoria da circulação automóvel em Lisboa.
O recentemente inaugurado túnel do Marquês é um (colossal) exemplo de como a orientação estratégica
de quem nos governa é fazer chegar rapidamente os carros ao centro da cidade.
Hoje em dia o grande problema nas grandes cidades europeias é justamente como evitar que cheguem tantos carros ao centro da cidade.
É cada vez mais urgente inverter a esta tendência de investimento na circulação automóvel.
As cabeças que nos governam acham que não é importante investir em ciclovias, e em melhorar as vias pedonais.
Brevemente vão haver eleições em Lisboa, é uma boa altura para debater estas questões e fazer ouvir os nossos pontos de vista sobre a cidade!
os cocós dos cães! esqueceram-se dos malditos cocós dos cães!
esses malditos que fazem das ruas de lisboa uma latrina, da minha paciência uma impossibilidade, e dos meus sapatos objectos para deixar à porta de casa. ah, e da maioria da população com cão uns grandes porcos...
Deixa-me ver se percebi: para ti as pessoas são imperfeitas e deves ter ainda um teorema que diz que da imperfeição não pode derivar a perfeição.
E provavelmente o teu conceito de perfeição é estático, uma espécie de estado final, do qual qualquer passagem para um outro estado significaria mudar para um estado imperfeito.(?)
Por outro lado parece-me que ao te referires a um conceito ideal o concebes como algo impossível de ser realizado senão enquanto acção de um pensamento.
Assim, surge algo contraditória a tua primeira afirmação: se aceitares que o pensamento é produto de uma actividade humana que é pensar e que conceitos ideais e pensamentos perfeitos existem então, estes são ainda produto
de uma actividade humana e, consequentemente (segundo o que me parece ser o que afirmas), não poderão ser perfeitos nem ideais pois são feitos por pessoas.
O mesmo raciocínio se aplicaria a uma cidade habitada por máquinas. (se se puderem considerar 'níveis de perfeição' eu diria que as máquinas serão certamente mais imperfeitas
do que as pessoas).
Esperava que alguém dissesse que eu não tinha concluído nada...
Os conceitos 'ideais' e 'perfeitos' são para mim mutáveis e tangíveis. (vou tentar explicar) Significa que os aceito de um ponto de vista operacional ou funcional (por isso mutáveis)- são produto de uma actividade humana e o ser-humano serve-se deles para construir-se enquanto indivíduo, enquanto pertencente a uma colecção de outros indivíduos, considerando sempre os seus limites e os impostos pelo meio em que se encontra....se se quiser pode-se
chamar natureza. Então para mim estes conceitos poderão ser tangíveis.
Concretamente: eu não quero que as pessoas (e eu em particular) tenham desculpas para não procurarem melhorar e pretendo que sejam responsabilizadas.
O túnel do Marquês antes de ser uma obra que facilita e estimula a entrada de carros em Lisboa é o resultado da demissão das pessoas em geral e dos 'governantes' em particular da comunicação entre indivíduos pertencentes a um colectivo....da comunicação entre munícipes vizinhos por exemplo, da assunção do estado de imperfeição de um dada situação e da impossibilidade do ideal. Claro que ha mecanismos que dificultam a participação...mas isto leva a outra discussão (interessante!).
As cabeças que nos governam são também pessoas e os carros não andam sozinhos...
Já baralhei as cartas e não voltei a dar.
Acho que se pode ir caminhando para a cidade ideal e ao chegar absorvê-la com todos os sentidos.
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