domingo, 6 de maio de 2007

Como seria a Lisboa Ideal?

Entre Fevereiro e Abril ALKANTARA e ZDB perguntaram a todos: “Como seria a Lisboa Ideal?”.
Receberam mais de 70 respostas: projectos, ideias, imagens, textos... agora é tempo de as mostrar!
No dia 12 de Maio, na Escola Superior de Dança (rua da Academia das Ciências n.º 5 Bairro Alto) das 18h00 às 24h00 todos os projectos recebidos serão apresentados ao público. O programa inclui igualmente discussões com representantes de diversas associações e movimentos cívicos, vídeos, música ao vivo,... Estarão presentes escolas e universidades, arquitectos, escritores, jornalistas, artistas... Todos estão convidados. A entrada é livre! É tempo de conhecer a Lisboa Ideal!

8 comentários:

José Silva disse...

A mim não me perguntaram o que seria para mim a Lisboa ideal. Acho que uma cidade ideal só poderia ser sem pessoas. Como eu gosto de morar em Lisboa, não gostaria que Lisboa fosse a cidade ideal.
Gostava que Lisboa tivesse mais pessoas e menos carros. Mais lojas de rua e menos centros comerciais. Menos parques de estacionamento e mais espaços verdes. Gostava que fosse mais agradável andar a pé em Lisboa, e mais difícil andar de carro. Gostava de poder passear sem me ter que desviar dos carros estacionados do passseio. Gostava que o ar que respiramos fosse mais limpo. Gostava que houvesse mais vida de bairro, mais esplanadas, e mais ruas sem trânsito.
Será pedir demais?

Pedro Calheno disse...

Infelizmente nas cidades (portuguesas) em que vivemos não é difícil apontar melhorias. Ainda mais quando já se andou por essa Europa fora...
Porque não criar faixas para ciclistas e outros meios de transporte não motorizados? Porque não começar a proibir a circulação automóvel em certos pontos centrais das cidades em vez de se esperar pelo dia mundial ou qualquer outro motivo praticamente imposto para o fazer? Isto não só em Lisboa como no Porto, em Braga, em Coimbra, etc...

Pedro Calheno disse...

Claro que posto este problema a quem responsável por este pelouro ( com certeza ninguém ) irá dizer que não é viável, não há espaço, etc... Pois não há nem nunca houve foi espaço na cabeça deles para duas coisas fundamentais que se chamam cérebro e ética.
Por exemplo uma coisa muito simples: porque não por a funcionar em zonas de peoes aquelas caixinhas nos semáforos que noutros paises servem para mudar o sinal e em Portugal serve no máximo para morrermos electrocutados?

:) disse...

Gostava que desenvolvesses a ideia de que 'uma cidade ideal só poderia ser sem pessoas'. Penso poder ter entendido...
Por outro lado fará sentido considerar uma cidade sem pessoas? O conceito de cidade não terá implícito de que é 'algo' com pessoas, feito por pessoas e para as pessoas?...a parte de 'para as pessoas' é que penso que é esquecida pelas pessoas :|

José Silva disse...

Não acredito que se possam fazer coisas ideais ou perfeitas com pessoas. Podíamos talvez conceber uma cidade ideal habitada por máquinas e robôs, mas não é certamente nessa cidade que eu quero morar.
A cidade em que eu gostava de morar seria sem dúvida feita por pessoas e para as pessoas. Lisboa não é uma cidade para as pessoas, é uma cidade para os carros.
A grande prioridade das sucessivas direcções camarárias tem sido investir na melhoria da circulação automóvel em Lisboa.
O recentemente inaugurado túnel do Marquês é um (colossal) exemplo de como a orientação estratégica
de quem nos governa é fazer chegar rapidamente os carros ao centro da cidade.
Hoje em dia o grande problema nas grandes cidades europeias é justamente como evitar que cheguem tantos carros ao centro da cidade.
É cada vez mais urgente inverter a esta tendência de investimento na circulação automóvel.
As cabeças que nos governam acham que não é importante investir em ciclovias, e em melhorar as vias pedonais.
Brevemente vão haver eleições em Lisboa, é uma boa altura para debater estas questões e fazer ouvir os nossos pontos de vista sobre a cidade!

FeminineMystique disse...

os cocós dos cães! esqueceram-se dos malditos cocós dos cães!

esses malditos que fazem das ruas de lisboa uma latrina, da minha paciência uma impossibilidade, e dos meus sapatos objectos para deixar à porta de casa. ah, e da maioria da população com cão uns grandes porcos...

:) disse...

Deixa-me ver se percebi: para ti as pessoas são imperfeitas e deves ter ainda um teorema que diz que da imperfeição não pode derivar a perfeição.
E provavelmente o teu conceito de perfeição é estático, uma espécie de estado final, do qual qualquer passagem para um outro estado significaria mudar para um estado imperfeito.(?)
Por outro lado parece-me que ao te referires a um conceito ideal o concebes como algo impossível de ser realizado senão enquanto acção de um pensamento.
Assim, surge algo contraditória a tua primeira afirmação: se aceitares que o pensamento é produto de uma actividade humana que é pensar e que conceitos ideais e pensamentos perfeitos existem então, estes são ainda produto
de uma actividade humana e, consequentemente (segundo o que me parece ser o que afirmas), não poderão ser perfeitos nem ideais pois são feitos por pessoas.
O mesmo raciocínio se aplicaria a uma cidade habitada por máquinas. (se se puderem considerar 'níveis de perfeição' eu diria que as máquinas serão certamente mais imperfeitas
do que as pessoas).

:) disse...

Esperava que alguém dissesse que eu não tinha concluído nada...
Os conceitos 'ideais' e 'perfeitos' são para mim mutáveis e tangíveis. (vou tentar explicar) Significa que os aceito de um ponto de vista operacional ou funcional (por isso mutáveis)- são produto de uma actividade humana e o ser-humano serve-se deles para construir-se enquanto indivíduo, enquanto pertencente a uma colecção de outros indivíduos, considerando sempre os seus limites e os impostos pelo meio em que se encontra....se se quiser pode-se
chamar natureza. Então para mim estes conceitos poderão ser tangíveis.
Concretamente: eu não quero que as pessoas (e eu em particular) tenham desculpas para não procurarem melhorar e pretendo que sejam responsabilizadas.
O túnel do Marquês antes de ser uma obra que facilita e estimula a entrada de carros em Lisboa é o resultado da demissão das pessoas em geral e dos 'governantes' em particular da comunicação entre indivíduos pertencentes a um colectivo....da comunicação entre munícipes vizinhos por exemplo, da assunção do estado de imperfeição de um dada situação e da impossibilidade do ideal. Claro que ha mecanismos que dificultam a participação...mas isto leva a outra discussão (interessante!).
As cabeças que nos governam são também pessoas e os carros não andam sozinhos...
Já baralhei as cartas e não voltei a dar.
Acho que se pode ir caminhando para a cidade ideal e ao chegar absorvê-la com todos os sentidos.